quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Acorda, acorda, acorda, acorda....


Precisava mesmo acordar... e depois de um belo puxão de orelha do nosso diretor Marcelo de Barros, resolvi(emos), eu e meu querido amigo Roberto Di Oliveira, estudar a P! do texto... Somos dois lacaios. Primeiro passo: o que é um lacaio?
Sim, recorri ao google... Enfim, nada muito longe do que eu supunha, aliás, também nada muito perto. Vamos lá!
Primeira tentativa: http://www.dicio.com.br/lacaio/
Significado de Lacaio

s.m. Criado, geralmente trajado de libré.
Fig. Indivíduo servil, subserviente, de mau caráter.
Sinônimos de Lacaio

Lacaio: bajulador, criado, desprezível, esbirro, pajem, sabujo e serviçal


Não sei dizer se me ajudou muito, sequer se me ajudou.
Segunda tentativa: Dicionário Aurélio
lacaio sm.
1. criado de libré, que acompanha o amo em passeio ou jornada 2. Indivíduo desprezível, bajulador.


Apesar de mais útil que a primeira opção, ainda estou confusa, naõ consigo entender ao certo oq ue é um lacaio, não consigo imaginar... se quero que desenhem??? Façam-me este favor! Não apenas quero, mas necessito!
Portando uma idéia vaga do que seria nosso personagem, o tal lacaio, sigo com minha busca... Passei para o pr´prio texto de Moliére a fim de descobrir alguma pista preciosa, encontrei algumas fotos da peça representada recentemente. Encontrei alguns vídeos. e os lacaios, heim? É, destes não tive notícia.
Próximo passo? fazer com que personagens completamente dispensáveis sejam ao menos eprsonagens, afinal, precisamos pensar em figurinos, composição, criação, marcação...
Vai dar trabalho! Isso, simplesmente por me parecerem completamente dispensáveis!
Vamos ao desafio.
Amanhã tentarei encontrar meu estimado amigo de "lacaisse" e lhe dar a má notícia~: Não sei pra que servem os lacaios! Não sei o que faremos no palco!
Vai ver preciso relaxar e pensar mais um pouco, vai ver preciso dar um tempo com os palcos, talvez com os lacaios, o que vier primeiro!
Cheguei a conclusão de que não posso prosseguri com minha criação antes de consultar o diretor do espetáculo, já que não houve nenhum estudo anterior, não sei quais são meus limites de criação. Idéias, até que não faltam, boas ou ruins, não param de chegar!
Já estou pensando em figurino e etecetera.
Mas não é fácil quando o espetáculo depende do conjunto, e desconheço os limites dos personagens dispensáveis ao bom entendimento da peça.
Acho que devo desacordar novamente...
Voltarei aos filmes e livros... Não sei criar o desconhecido!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pierrot, Le fou... Pra recomeçar....


Entre um relacionamento e outro, nada melhor que uma resenha de filme, já que livros eu tenho lido muito pouco! Ando realmente sem saco de escrever, ou melhor, andava, estou tentando voltar a ter saco! Pra tirar a poeira e ressussitar meu blog, recomeço com a resenha de um filme que gosto muito, do meu estimado Godard: Pierrot, Le fou, depois de assisti-lo trocentas vezes! A resenha foi escrita pra uma aula, do início do ano passado, mas acho que vale, não?
Chega de conversa e vamos ao que interessa!
Pierrot, le fou, de Jean-Luc Godard (França, 1965)
É difícil falar de um ponto interessante no filme do Godard, quando quase tudo nos impressiona. Pierrot, Le fou é um filme de narrativa fragmentada, onde tempo e imagem estão dissociados um do outro, possuem autonomia. As falas (sons), as imagens e o tempo em si estão completamente livres. A estória não tem um fio condutor, não segue uma linearidade, sempre interrompida por cortes irracionais, demarcando uma divisão não-cronológica dos capítulos que dividem o filme (primeiro capítulo, segundo, terceiro, oitavo, oitavo, próximo, próximo...), não só a imagem, mas também o som sofre cortes abruptos, como na cena do roubo do carro.
O filme é permeado por diálogos “frouxos”, que em algumas vezes não querem dizer “nada”, e em outras querem dizer “tudo”. Soam como poesia, como música, reflexões existencialistas, desabafo com o próprio espectador (remetendo-nos ao teatro de atrações) sem qualquer receio de expor o anti-realismo do filme, que ora tenta nos confundir com o real quando Marianne Renoir (Anna Karina) diz “Tem que parecer real. Isso não é um filme!” contrastado com a falsidade aberrante da cena em questão, ora surpreende-nos com um diálogo diretamente direcionado a nós quando Ferdinand (Jean-Paul Belmondo) exclama “Tudo que ela pensa é diversão!”, e Marianne o interpela “Com quem está falando? “Com a platéia.”, seguindo-se um “ah” de Marianne, como se a situação fosse muito óbvia. O real e o imaginário estão separados por uma linha tênue.
Godard utiliza colagem em seu filme, as cenas são interrompidas por letreiros (vie, riviera,cinema; e por que não movie?), histórias em quadrinho, figuras, fotografias e obras de arte (como os quadros de Picasso e Renoir). Pierrot é, sem dúvida, um fissurado pela arte, principalmente pela literatura. Há, no entanto, uma nova concepção de cinema, da decupagem, da mise-en-scène, dos falsos raccords, e no uso das cores, especialmente azul, verde, vermelho e amarelo. A câmera possui determinada fixidez, em muitos momentos ela escapa daquele que fala (autonomia do som em relação ao movimento/imagem), muitas vezes também retratando espaços vazios.
Em Godard, tudo é possível, inesperado. Os personagens podem ser o que quiserem, pois se trata de um filme: “vida real é outra coisa”. Há um afastamento entre os personagens e os espectadores; aqueles são pouco afetados, até mesmo pelo que lhes acontece e não nos afeta (ou pouco nos afeta, ao menos diretamente). Apresentam-se desprovidos de caráter, mas nem por isso deixam de nos conquistar, e acredito que justamente por estar claro que é só uma representação, que se trata de cinema, que é vermelho e não sangue, segundo a fórmula do próprio Godard. Pierrot, Le fou é um filme puramente experimental, alternativo e peculiar, com um desfecho, no mínimo, imprevisível.